Tive a
oportunidade de conhecer a tecnologia de uma empresa sediada na Alemanha, mais
precisamente em Füzen. A qual contribuiu de maneira significativa em uma
atividade que naquele momento eu não assumia nem para mim, mas alimentava,
formando um banco de dados. Até o contato com esta empresa, eu não encontrava
justificativa ou clareza suficiente para dividir essa atividade paralela com
alguém, mas, até então, já havia passado seis anos. Eu tinha um volume
interessante e incomodo de informação, sem ter certeza de um bom motivo para
continuar o “projeto”. A citada empresa é a Bihler, líder e pioneira no
seguimento de centro de estampagem acionado por curvas.
A oportunidade
surgiu depois de participar de alguns trabalhos no Brasil usando esse
equipamento. Eu pude conhecer de perto a técnica de acionamento por curvas, que,
no caso das máquinas Bihler, tem particularidades: o princípio mecânico é
simples, eficiente e esteticamente bonito de ver funcionando. Mas o que me
chamou a atenção foi á história do sistema, cujo autor é o Sr. Otto Bihler.
Esse senhor,
em meados da segunda guerra, vivia o dilema de atender uma necessidade da
indústria. A dificuldade era desenvolver meios produtivos para produtos com as
seguintes características: peças metálicas a partir de arames e fitas estreitas,
com dobras amplas e muito retorno elástico. Dois itens que ilustram bem este
seguimento são: o clips de papel e o anel de pistão automotivo. Uma variedade
de clientes e peças deste tipo exige processos de conformação onde os ângulos de
ataque para dobra são os mais variados, somado à necessidade de regulagem do
punção para absorver o retorno elástico.
Para a
produção de tais peças, o estampo com progressão linear era alternativa inviável,
devido à limitação no ângulo de ataque. Com isso, a única peça comum entre os
projetos era os parafusos norma DIN, ou seja, os meios produtivos eram
insustentavelmente autorais, seria comparável a um protético, há trinta anos, usando
os seus recursos no ajuste de uma prótese dentária já na boca do paciente.
Diante do
cenário, o Sr. Otto Bihler percebeu que, deixando a sua empresa crescer, sob às
exigências de cada cliente, que impunham variados princípios mecânicos para
desenvolver o meio produtivo, ele não teria uma empresa, mas sim uma quimera.
Disse
o Sr.Otto:
- Preciso
desenvolver um sistema com parâmetros confiáveis e usa-lo como plataforma
operacional.
O primeiro passo
foi buscar o que havia de mais eficiente na historia da fabricação destes
produtos. Isso feito, era preciso adotar o melhor principio mecânico, com a
preocupação de ter um sistema aberto e passível de receber equipamentos
periféricos, e o melhor, sem cercear a criatividade dos profissionais de
projeto. A redução do traço autoral criou uma rotina saudável para a empresa,
abaixando os custos, tudo que não se enquadrava no sistema era especial e,
portanto tinha valor adequado.
Hoje a Bihler
é fornecedora tradicional dos anéis para pistão da Mercedes Bens, equipa os
maiores fabricantes de mola no mundo, e tem sido boa aluna na aula de mandarim.

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