domingo, 12 de agosto de 2012

A ORIENTAÇÃO DA INDÚSTRIA


Na historia da indústria, existem capítulos que se destacam por alterar em alguns graus a direção do deslocamento evolutivo. Refiro-me a dois acontecimentos relativamente próximos, onde o segundo só existiu pelo fato de ter o primeiro como referência.

O primeiro diz respeito, as formas que aumentaram a capacidade na escala quantitativa da produção. Uma revolução que proporcionou a imperceptível diferença na aparência e desempenho entre produtos saídos da mesma esteira. Esse acontecimento foi liderado pelo calor do motor a combustão, denominado por alguns historiadores como “movimento fordiano”.

Outras indústrias da época tiveram ações com o mesmo objetivo, mas não possuíam um produto que movimentasse a mesma variedade em mão-de-obra e matéria-prima e com simpatia suficiente para patrocinar uma mudança, todos ótimos ingredientes para promover a ascenção ecônomica. Essas foram as razões pelas quais a indústria automobilística liderou a produção em grande escala. O mercado da época reforçou o cenário pedindo máquinas e equipamentos de alto desempenho para produzir bens de consumo em volume que até então não havia sido fabricado.

É no item máquina e equipamento - os bens de produção - que pretendo me aprofundar. Essas máquinas deveriam ter motor capaz de transformar energia elétrica em movimento que, transmitido mecanicamente, deveria chegar ao efeito de transformação e beneficiamento com o melhor resultado possível. Coisa semelhante já havia acontecido na Inglaterra usando o motor a vapor para transporte coletivo maritimo e ferroviário.

Para que a máquina trabalhasse com a velocidade da cultura de consumo instituída pelos americanos em meados do século XX teria que ser feita com materiais mais elaborados, sistemas de lubrificação forçada, melhores transmissões mecânicas, além de amplo monitoramento para evitar variáveis e desgaste prematuro. Requisitos como esses justificaram enorme investimento em avanço tecnológico os quais, por sua vez, tiveram importância singular.

Empresas como Niagara e Minster protagonizaram a escalada tecnológica no setor de prensa a ponto de chegarem a impressionantes 1300 golpes por minuto. Alguns fabricantes na Europa acompanharam com sucesso o novo ritmo, no caso de prensas podemos citar entre outras a Suíça Bruderer.
A implantação da indústria japonesa foi o segundo capítulo. Esta implantação teve a tutela americana e partiu do zero. Grupos de empresários japoneses, graças ao fim da segunda guerra mundial, visitaram as indústrias americanas e ficaram impressionados com o virtuosismo e diversidade.

Mas um aspecto incomodava aqueles espíritos orientais. Seria necessária tanta tecnologia com foco na velocidade? Porque não transferir parte do investimento em tecnologia administrativa?

É bom que se diga que os americanos sempre foram referência em administração, a novidade proposta pela futura indústria japonesa era a mudança do foco em administração da produção. A tese japonesa encontrou respaldo na equipe americana que facilitava e de certo modo até se interessava pela política de desenvolvimento no Japão. A abrangência da nova filosofia passava pelos fornecedores que podiam ser corporativo ou familiar, com a intenção de criar entre outras coisas um resultado que virou uma das marca deste movimento, “O estoque mínimo”.

Apesar das perdas sem precedentes, foi a maneira que se implantou a indústria japonesa que tem ajudado hoje em sua recuperação após um tsunami que acabou com boa parte da ilha. É isso que torna a diversidade cultural um valor imbatível.

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