Na historia da indústria, existem
capítulos que se destacam por alterar em alguns graus a direção do
deslocamento evolutivo. Refiro-me a dois acontecimentos relativamente
próximos, onde o segundo só existiu pelo fato de ter o primeiro
como referência.
O primeiro diz respeito, as formas que
aumentaram a capacidade na escala quantitativa da produção. Uma
revolução que proporcionou a imperceptível diferença na aparência
e desempenho entre produtos saídos da mesma esteira. Esse
acontecimento foi liderado pelo calor do motor a combustão,
denominado por alguns historiadores como “movimento fordiano”.
Outras indústrias da época tiveram
ações com o mesmo objetivo, mas não possuíam um produto que
movimentasse a mesma variedade em mão-de-obra e matéria-prima e com
simpatia suficiente para patrocinar uma mudança, todos ótimos
ingredientes para promover a ascenção ecônomica. Essas foram as
razões pelas quais a indústria automobilística liderou a produção
em grande escala. O mercado da época reforçou o cenário pedindo
máquinas e equipamentos de alto desempenho para produzir bens de
consumo em volume que até então não havia sido fabricado.
É no item máquina e equipamento - os
bens de produção - que pretendo me aprofundar. Essas máquinas
deveriam ter motor capaz de transformar energia elétrica em
movimento que, transmitido mecanicamente, deveria chegar ao efeito de
transformação e beneficiamento com o melhor resultado possível.
Coisa semelhante já havia acontecido na Inglaterra usando o motor a
vapor para transporte coletivo maritimo e ferroviário.
Para que a máquina trabalhasse com a
velocidade da cultura de consumo instituída pelos americanos em
meados do século XX teria que ser feita com materiais mais
elaborados, sistemas de lubrificação forçada, melhores
transmissões mecânicas, além de amplo monitoramento para evitar
variáveis e desgaste prematuro. Requisitos como esses justificaram
enorme investimento em avanço tecnológico os quais, por sua vez,
tiveram importância singular.
Empresas como Niagara e Minster
protagonizaram a escalada tecnológica no setor de prensa a ponto de
chegarem a impressionantes 1300 golpes por minuto. Alguns fabricantes
na Europa acompanharam com sucesso o novo ritmo, no caso de prensas
podemos citar entre outras a Suíça Bruderer.
A implantação da indústria japonesa
foi o segundo capítulo. Esta implantação teve a tutela americana e
partiu do zero. Grupos de empresários japoneses, graças ao fim da
segunda guerra mundial, visitaram as indústrias americanas e ficaram
impressionados com o virtuosismo e diversidade.
Mas um aspecto incomodava aqueles
espíritos orientais. Seria necessária tanta tecnologia com foco na
velocidade? Porque não transferir parte do investimento em
tecnologia administrativa?
É bom que se diga que os americanos
sempre foram referência em administração, a novidade proposta pela
futura indústria japonesa era a mudança do foco em administração
da produção. A tese japonesa encontrou respaldo na equipe americana
que facilitava e de certo modo até se interessava pela política de
desenvolvimento no Japão. A abrangência da nova filosofia passava
pelos fornecedores que podiam ser corporativo ou familiar, com a
intenção de criar entre outras coisas um resultado que virou uma
das marca deste movimento, “O estoque mínimo”.
Apesar das perdas sem precedentes, foi
a maneira que se implantou a indústria japonesa que tem ajudado hoje
em sua recuperação após um tsunami que acabou com boa parte da
ilha. É isso que torna a diversidade cultural um valor imbatível.
Nenhum comentário:
Postar um comentário